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domingo, abril 02, 2006

Ambiguidade do Flamenco......



Hoje tô só o pozinho...ja comprei raçao errada pras minhas cadelinhas e ainda consegui derramar tudo no chao...ja derramei feijao hj tambem no mesmo chao...isso é sinal de cansaço, acho que preciso dormir um pouco mais...porém, esse cansaço é tão bom de sentir!!!Principalmente ali, bem embaixo dos pezinhos, já apresentando sinais de calos...nunca tive pés bonitos, mas agora, gente, que preço viu...como diz minha amiga flamenkita Selma, isso é masoquismo, meu Deus!mas é um masoquismo que escolhemos entre tantos estilos de dança...o flamenco faz você fincar os pés no chão, te posiciona na realidade, ao mesmo tempo que te eleva ao maior e melhor sentimento de auto-estima...é por conter essa ambiguidade que me apaixonei pelo flamenco...é por isso que, lá na aula, durante os exercícios de sapateado, quando fazemos um "senhor" esforço pra nos mantermos firmes no lugar sem balançar o resto do corpo, sem movimentar o quadril, aplicando a força correta no passo...quando, nas aulas de castanholas, ficamos ali, por aprox. 7 minutos exercitando direto, sem parar, sentindo as dores e o peso do braço te puxando pra baixo, e vc se mantém ali, firme, em 6a, com aquele olhar de "que não tá doendo nada"...e tb, qdo se coloca tudo isso em sincronia, a cabeça prum lado, os braços alternados, os pés num sapateado frenético, o cerebro fazendo a contagem: 12,123,45678910....e sua expressão forte, marcante, profunda, concentrada na musica que a todos envolve...e a gente transpira como em nenhuma outra situação, parece até que vai morrer...!!!!!gente, só quem faz tudo isso de verdade, é que conhece essa contraditoria escolha entre dor e prazer...é que, no final, o prazer prevalece, e compensa todo o sacrifício da escolha..eu amo muito tudo isso!!!eu te amo muito psssssoraaa!!!

2 comentários:

MaFê Senger disse...

Oi, pessoa,
eu sapateio todo dia útil que não seja feriado, e não tenho calos, só a pele que ficou mais grossa em alguns dois lugares das solas de cada pé.
Percebo esse esforço de outra maneira, não uma dicotomia entre dor e prazer, mas uma possibilidade de explotar meus limites, de ampliar minhas experiências e de ficar com o "corpo zerado".
Boas!

Soy Verônica disse...

É Fernanda...o flamenco é como o copo de água pela metade, observado por diversos pontos de vista...a metade pode significar muito pra uns, pra outros, é só a metade...obrigada pela sua participaçao!