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terça-feira, maio 02, 2006

Amigos

Escolho meus amigos:

> Não pela pele ou outra característica qualquer,
> Mas... pela Pupila.
> Tem que ter brilho questionador
> E tonalidade inquietante.
> A mim não interessam os bons de espírito,
> Nem os maus de hábitos.
> Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
> Deles não quero resposta, quero meu avesso.
> Que me tragam dúvidas e angústias
> E agüentem o que há de pior em mim.
> Para isso, só sendo louco.
> Quero os santos,
> Para que não duvidem das diferenças
> E peçam perdão pelas injustiças.
> Escolho meus amigos pela cara lavada
> E pela alma exposta.
> Não quero só o ombro ou o colo,
> Quero também sua maior Alegria.
> Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
> Meus amigos são todos assim:
> Metade bobeira, metade seriedade.
> Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
> Quero amigos sérios,
> Daqueles que fazem da realidade
> Sua fonte de Aprendizagem,
> Mas lutam para que a fantasia não desapareça.
> Não quero amigos adultos e nem chatos.
> Quero-os metade infância e outra metade velhice!
> Crianças, para que não esqueçam
> O valor do vento no rosto;
> E velhos, para que nunca tenham pressa.
> Tenho amigos para saber quem eu sou.
> Pois os vendo loucos e santos;
> Bobos e sérios; crianças e velhos;
> Nunca me esquecerei de que:
> " Normalidade "
> É uma ilusão imbecil e estéril.

OSCAR WILDE

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