Vento Novo

"...Estava enrolada em teias e traças,
debaixo da escada,l á no subsolo da casa fechada.
Começava a tomar ares de desgraça.
Manchada do tempo, fenecia a esperar que um dia alguma coisa acontecesse.
Antes que se perdesse completamente, sentiu passar um vento cor-de-rosa.
Toda prosa, espanou a bruma, pintou os lábios e
sem vergonha nenhuma
caprichou no recorte do decote.
A felicidade volta à praça
cheia de dengo e de graça,
com perfume novo no cangote."
(Vento Novo - Flora Figueiredo)

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