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terça-feira, julho 24, 2007

Clichês







Pequeno (não) manual das chegadas e partidas






“...esta vida é uma estranha hospedaria,onde se parte quase sempre às tontas.e as nossas malas jamais estão prontas... e as nossas contas nunca estão em dia”


mario quintana


"...As pessoas entram e saem da vida alheia sem qualquer coisa que sirva para tornar a entrada menos assustadora e a saída menos dolorosa. Às vezes chegam tão de repente que não dá tempo de pintar as unhas nem os olhos, nem de pôr o vestido ideal ou de dizer a coisa certa. Às vezes vão sem dizer adeus, ou porque não sabem fazer de outra forma ou porque o tempo é curto para as despedidas ou porque, vai saber, tem mesmo de ser assim. Se é verdade que o mundo anda em círculos – seriam ciclos? – os encontros e os desencontros são peças de uma engrenagem que o dono do universo manipula de acordo com o próprio humor – justiça divina? – e que nós, os mortais, Seus filhos (é o que dizem), recebemos com um frio na barriga no caso das chegadas e com um vazio no peito no caso das partidas.Faz parte (clichê número um), e um pouco de açúcar, um pouco de álcool, um pouco de colo e um pouco de música ajudam a administrar as presenças e as ausências, da melhor amiga da infância que propõe um reencontro milhões de (quase dez) anos depois, do sujeito que precisa achar a si mesmo do outro lado do mapa, do sorriso irrecusável que aparece sem pedir licença (clichê número dois), de todos os que a gente sente saudade e não sabe o que dizer.Assim e pronto, e nem mil ensaios, mil exemplos e mil teorias (clichê número três) seriam suficientes para disfarçar a vertigem na hora do “seja bem-vindo à minha vida” (depois dá ao menos para rir da própria inabilidade) ou se manter de pé quando chega o momento do “não quero mais a sua insensatez” (demora um pouco mais, mas a gente acaba aprendendo a rir disto também). Com o tempo (clichê número quatro), a gente aprende a relativizar o tempo e as escolhas, as conquistas e as perdas, os encontros e as despedidas. A vida, já dizia o grande Leminski, não tem cura (clichê número cinco, o último de hoje, palavra de honra), e muito menos cabe num pequeno manual das chegadas e partidas, este aqui, coitado, um não manual para coisas que, na verdade, na verdade, não têm saída ..."


(à procura do autor....)

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